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Transporte de cargas gera 22,5 mil vagas de trabalho no 1T24, mas desafios ameaçam crescimento

Segundo economista, fim da desoneração da folha de pagamento e necessidade por profissionais operacionais são alguns dos principais desafios que o transporte de cargas precisará vencer 


Segundo informações divulgadas pelo Boletim de Conjuntura Econômica da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o setor de transportes tornou-se um dos destaques da economia do Brasil, criando 21 mil empregos formais em maio de 2024. Durante o primeiro trimestre de deste ano, o segmento gerou um total de 31,8 mil novas vagas de trabalho com registro formal — dessas, 22,5 mil foram atribuídas ao setor de transporte rodoviário de cargas. 


De acordo com a coordenadora de Projetos do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), Raquel Serini, o mercado de trabalho brasileiro está em uma trajetória favorável, marcada pela forte expansão da população ocupada e seus efeitos positivos sobre o consumo da massa salarial. 


Segundo o IBGE, o setor de serviços atualmente representa 59% do PIB nacional e 29% da geração de empregos. “Podemos atribuir ao aumento de 0,3% do volume de serviços, medido mensalmente pelo IBGE, quando comparado à queda observada nos meses anteriores. Além da suspensão da reoneração da folha de pagamento em 17 setores, incluindo o transporte rodoviário de cargas, deixou os empresários mais confiantes nas contratações”, explicou a economista. 


Apesar dos indicadores positivos, Raquel ressaltou que o setor apresenta alguns tópicos que podem comprometer um desempenho assertivo para o futuro. Um desses tópicos, citado no boletim, são as consequências da suspensão, decidida pelo STF, da extensão da desoneração da folha de salários para municípios e diversos segmentos produtivos até 2027.  

DESAFIOS NO TRANSPORTE DE CARGAS 

De acordo com o instituto, a medida de reoneração da folha de pagamentos resultará em um aumento expressivo do imposto a ser pago pelas empresas de transporte, com a mudança na arrecadação podendo oscilar entre 2% e 6%. Isso significa que, atualmente, as empresas destinam 1,5% da receita para contribuições, mas, com a nova legislação, essa taxa poderá chegar a 6% com fins previdenciários. 


Raquel também citou a crescente necessidade por profissionais na esfera operacional, principalmente motoristas, como um dos principais desafios para o segmento. “A falta de pessoas qualificadas torna-se um desafio preocupante para a indústria, impactando diretamente sua habilidade de suprir a crescente procura por serviços de transporte e se manter como destaque do boletim”, afirmou. 


Segundo a economista, alguns pontos que contribuem para esse cenário e desanimam os jovens a ingressarem na carreira são as condições de trabalho desafiadoras, a falta de infraestrutura adequada para os motoristas durante as viagens, jornada de trabalho extensa e o baixo índice de salários para os profissionais durante as viagens. 


Para superar esses desafios e aproveitar as oportunidades que surgem com o avanço da tecnologia, Raquel apontou algumas tendências que devem moldar o futuro do mercado de trabalho no transporte. “As carreiras não são mais lineares e um plano de carreira longo não faz mais sentido para muitos profissionais. Os contratantes devem se atentar mais às habilidades comportamentais do que técnicas em muitos casos. Além disso, o conceito de equipes multigeracionais deve impulsionar a diversidade nas organizações e nas transportadoras também”, afirmou. 


De acordo com a economista, com o avanço tecnológico, os veículos estão se tornando cada vez mais inteligentes e com mais recursos. “Essas inovações ajudam a melhorar a eficiência das operações de transporte, mas é preciso que os profissionais estejam cada vez mais capacitados para manuseá-los. De qualquer modo, aqueles que aproveitarem as oportunidades oferecidas pela tecnologia terão uma vantagem competitiva significativa perante o mercado”.


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