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Acidentes em rodovias federais custaram quase R$ 13 bi em 2022

Segundo a CNT, os custos com acidentes são 100% maiores que o investimento federal feito em 2022 na malha pública


O custo total estimado dos acidentes ocorridos em rodovias federais em 2022 foi de R$ 12,92 bilhões, valor 100% maior do que todo o investimento público federal aplicado no ano passado na malha pública federal, o equivalente a R$ 6,51 bilhões. O resultado também representa um aumento de quase R$ 800 milhões em relação a 2021, segundo dados do Painel CNT de Consultas Dinâmicas dos Acidentes Rodoviários, divulgado pela Confederação na sexta-feira, 17.


Minas Gerais (MG), que tem a maior malha rodoviária do país, lidera o ranking de custos de 2022 por estado respondendo por R$ 1,69 bilhão. Na sequência, estão Paraná e Santa Catarina, com R$ 1,41 bilhão e R$ 1,32 bilhão, respectivamente.


Segundo a CNT, o total de registros de acidentes nas rodovias federais em 2022 foi de 64.447, sendo que 52.948 deles acabaram com vítimas, entre mortos e feridos. Dados apontam que o período de Carnaval foi o campeão de sinistros nas rodovias federais em 2022. De acordo com a análise da CNT, da sexta-feira de folia à Quarta-Feira de Cinzas do ano passado foram registrados 1.160 acidentes. Em segundo e terceiro lugares estão os feriados de Proclamação da República e Corpus Christi, que responderam por um total de acidentes de 1.079 e 901, respectivamente. Para ambos também foi considerado o intervalo quantitativo de cinco dias de feriado.


Perfil – Os dados revelam que os acidentes e mortes acontecem com maior frequência no fim de semana, de sexta-feira a domingo. Somados, os três dias representam quase metade dos registros de sinistros, o correspondente a 48% e pouco mais da metade do número de mortes, o equivalente a 53,7%. Dentre as pessoas envolvidas, prevalecem aquelas acima de 45 anos de idade (28%), sendo que o sexo masculino corresponde a 70% dos envolvidos e 81% do número de óbitos.


Automóveis lideram a lista de veículos implicados em acidentes e mortes, tendo a colisão respondendo por 60% das ocorrências, como o tipo mais frequente.


Dados demonstram que metade das ocorrências acontecem em pistas simples, associadas ao intervalo de tempo de pleno dia, ou seja, entre o amanhecer e o anoitecer. As reações tardia, ineficiente ou a ausência de reação por parte do condutor são indicados como os fatores predominantes na causa de acidentes com vítimas. Juntos, representam 25% desses eventos.


O cálculo da estimativa de custo de acidentes é realizado, exclusivamente, pela CNT e leva em conta despesas diretas e indiretas, como gastos associados a atendimento hospitalar, previdenciário e perda de produção. Os parâmetros elaborados pela entidade têm por base dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e incluem também danos materiais, sinistros de cargas, processos judiciais, deslocamentos e mobilização policial, além de impactos ambientais.


Balanço dos acidentes – Em relação ao número de acidentes com vítimas, em 2022 houve um aumento de 0,2% de ocorrências e 0,7% no número de mortes, na comparação com 2021. Nesse recorte, a rodovia com o maior número de registros foi a BR-101, contabilizando 9.079 acidentes com vítimas. Já em relação ao número de mortes, a BR-116 é a rodovia em que mais se morre: somente em 2022, foram 640 vidas perdidas nesta malha. Vale ressaltar que essas duas estão entre as mais extensas do país.


Quando a análise leva em conta as rodovias federais que mais registram acidentes com vítimas por cada trecho de dez quilômetros, o panorama muda de configuração. A BR-467 contabiliza 81,3 acidentes com vítimas por dez quilômetros de extensão. Em segundo e terceiro lugar estão as BR-448 e BR-465, respectivamente, com 50,0 e 47,4 acidentes com vítimas por dez quilômetros de extensão.


Em parte, o alto número de acidentes no trânsito nas rodovias brasileiras está relacionado à falta de infraestrutura rodoviária, tendo em vista que o estado geral da malha brasileira está degradado. Dos 110.333 quilômetros avaliados pela Pesquisa CNT de Rodovia no ano passado, 66,0% foram classificados como regular, ruim ou péssimo.


O Painel CNT de Consultas Dinâmicas dos Acidentes Rodoviários reúne dados de sinistros de 2007 a 2022 e visa chamar a atenção do transportador para o cenário nacional. Ao saber quais são as rodovias nas quais ocorre o maior número de acidentes e mortes e os tipos mais frequentes, os usuários podem se programar melhor para adotar medidas preventivas de segurança.


Na ferramenta é possível fazer pesquisas e recortes — nacional e por estado — que permitem conhecer a realidade de acidentes nas rodovias federais brasileiras. A estratificação das informações é realizada pela CNT, a partir dos registros da Polícia Rodoviária Federal.


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